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Black Friday das hospedagens: acompanhamos os preços por 4 meses e o resultado não é o que os anúncios mostram

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Black Friday das hospedagens: acompanhamos os preços por 4 meses e o resultado não é o que os anúncios mostram

Photo: Shixart1985, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

Black Friday chegou e, como todo ano, as redes se enchem de banners gritando "até 90% off". Mas a gente do Clube do Host tem uma mania: não acredita em desconto sem planilha. Então, entre outubro e janeiro, um dos nossos editores abriu o navegador todo santo dia e anotou, à mão, o preço dos planos de entrada de 8 das principais provedoras que atendem o mercado brasileiro.

O resultado? Alguns descontos são reais e vale a pena esperar. Outros são matemática criativa. E tem uma descoberta sobre o período pós-Black Friday que talvez seja a informação mais valiosa deste artigo inteiro.

Como fizemos o monitoramento (e por que à mão)

Sem robô, sem API: abrimos o site de cada provedora todos os dias por volta das 10h e registramos o preço mensal do plano de entrada, aquele que aparece quando você ainda não digitou nenhum cupom. Anotamos também o preço com o cupom de destaque da página, quando existia.

Sim, os preços de hospedagem mudam por região, por cookie e até por hora do dia em algumas plataformas. Não dá pra ser cirúrgico. Mas com 120 dias de amostras, o padrão aparece.

Padrão 1: o "desconto" que já era o preço normal

Aqui está o truque mais comum. Em pelo menos 3 das provedoras monitoradas, o preço de outubro já vinha com um desconto aplicado que expirava no início de novembro. Resultado: na semana da Black Friday, o "preço cheio" era 30 a 40% maior do que o praticado um mês antes. O tal de 60% off, na prática, voltava o plano ao patamar de setembro.

Como se defender? Simples: anote você mesmo. Todo dia 1º do mês, tire um print do preço do plano que você quer. Três prints valem mais que qualquer banner de promoção.

Padrão 2: o desconto real existe, mas morre na renovação

Nos planos onde o desconto da Black Friday era genuíno — e houve casos de preços caindo 70% no plano de entrada —, a letra miúda contava a mesma história de sempre: o valor vale só no primeiro ciclo. Renovou? Paga o cheio.

A dica que a gente repete até cansar: se o desconto for bom, estique o contrato. Comprar 36 meses pelo preço promocional é a única forma de travar aquele valor por um tempo decente. Só faça isso com provedora que você já conhece ou que tem política de reembolso clara (idealmente 30 dias, reembolso integral).

Padrão 3: o pico de preço de janeiro que ninguém comenta

Essa foi a descoberta que mais nos surpreendeu. Em janeiro, quando todo mundo já fechou o notebook e voltou de férias, os preços dos planos de entrada subiram acima do nível de outubro em 5 das 8 provedoras. Faz sentido comercial: quem precisa de hospedagem em janeiro geralmente precisa com urgência — acabou de criar o CNPJ, acabou de contratar o desenvolvedor — e urgência não regateia desconto.

Traduzindo: o pior momento do ano para assinar hospedagem no Brasil é justamente janeiro. Se dá pra esperar, espere.

Então, quando comprar?

Com os dados na mão, o ranking de momentos ficou assim:

  1. Semana da Black Friday (meados de novembro): os maiores descontos absolutos do ano, com ressalvas da letra miúda.
  2. Primeiros dias de dezembro: em algumas provedoras, as promoções continuam rolando com estoque de paciência do time de vendas.
  3. Qualquer mês, com cupom de recorrente: se você já é cliente, cupons de renovação apareceram ao longo de todo o monitoramento, inclusive fora de época de promoção.

E o que evitar? Comprar no dia seguinte ao vencimento do seu site atual. Desespero é o melhor amigo do preço cheio.

Para quem vai renovar: a jogada do "falso cancelamento"

Um detalhe prático que vale ouro: em várias das provedoras monitoradas, o fluxo de cancelamento dentro do painel oferece um desconto de retenção antes de você confirmar a saída. Não estamos dizendo para você enganar ninguém — mas se você está realmente pensando em trocar de provedora na renovação, vale abrir o cancelamento e ver o que aparece antes de decidir. Às vezes o desconto de retenção compete com o preço de Black Friday.

O veredito do Clube

A Black Friday das hospedagens não é golpe — mas também não é o desconto que o banner promete. É uma janela real de economia para quem planeja: anota os preços com antecedência, estica o ciclo contratual quando o desconto for bom, lê a política de renovação duas vezes e nunca, jamais, deixa o contrato vencer em janeiro.

Ano que vem, a gente repete a planilha. E se você quiser contribuir com prints dos preços que encontrar, o Clube agradece — dados coletados em comunidade são mais difíceis de enganar.

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