De graça até onde dá: 4 sites rodando em hospedagem gratuita por 30 dias — o diário completo
Photo: Pittigrilli, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Hospedagem grátis tem a fama de ser a porta de entrada de todo mundo que está começando — e também a vilã de toda história de site que deu errado. Mas será que a fama procede?
Em vez de discutir teoria, fizemos o que o Clube do Host sempre faz: colocamos a mão na massa. Subimos quatro sites de verdade, cada um num plano gratuito diferente, e acompanhamos o comportamento de todos durante 30 dias. Anotamos velocidade, quedas, limites estourados e, claro, aquela propaganda que ninguém te avisa que vem junto.
Os quatro cobaias
Para o teste fazer sentido, escolhemos perfis que representam o brasileiro comum que está montando o primeiro site:
- Blog de receitas — WordPress puro, com imagens pesadas de comida (porque blog de receita sem foto não funciona);
- Lojinha de artesanato — catálogo simples com WhatsApp de contato, estilo o que muita gente faz antes de investir numa plataforma de e-commerce;
- Portfólio de designer — poucas páginas, muitas imagens, pouco texto;
- Site institucional de barbearia — uma página só, com endereço, horário e link de agendamento.
Usamos planos gratuitos de serviços conhecidos no mercado nacional e internacional, todos com domínio gratuito tipo meusite.subdominio.com, já que plano free raramente aceita domínio próprio.
Primeira semana: tudo bonito
Nos primeiros dias, a realidade foi melhor do que o ceticismo esperava. O site da barbearia — o mais leve — carregava em menos de 3 segundos e ninguém reclamou de nada. O portfólio também se comportou bem, já que tinha poucos visitantes.
Aí vem o primeiro detalhe que só aparece na prática: a propaganda obrigatória. Em dois dos quatro planos, o provedor injeta um banner no rodapé do site. No portfólio, ficou feio. Na lojinha, pior — o banner de promoção de hospedagem aparecia bem em cima do botão de compra no celular. Cliente em potencial desviando o olhar para anúncio de terceiro é prejuízo puro.
Segunda semana: o blog começa a engasgar
O blog de receitas foi o primeiro a dar sinal amarelo. Depois de publicar 15 posts com fotos em alta resolução, o espaço em disco — que nos planos free costuma variar entre 500 MB e 1 GB — começou a ficar no limite.
O painel começou a exibir avisos de armazenamento, e o site ficou visivelmente mais lento: o tempo de carregamento subiu de 3 para quase 9 segundos nas páginas com muitas imagens. Quem acessa pelo 4G no ônibus simplesmente desiste antes da foto do bolo carregar.
Outra limitação que apareceu: sem cache e sem CDN no plano gratuito, cada visita pesa no servidor. Compartilhou um post num grupo de WhatsApp e o tráfego simultâneo derrubou a velocidade para todos.
Terceira semana: a lojinha encosta no teto de tráfego
A lojinha foi o segundo caso perdido. Uma divulgação num grupo local de bairro gerou um pico de visitas — coisa pequena, uns 300 acessos num dia — e o plano gratuito simplesmente suspendeu o site por excesso de tráfego.
Ficou quase 12 horas fora do ar num sábado. Para quem vende, isso é doloroso: não é só perder visitas, é passar a imagem de site quebrado. Foi exatamente nesse momento que o plano "grátis" começou a custar caro.
Quarta semana: o placar final
Depois de 30 dias, o resumo ficou assim:
| Projeto | Sobreviveu ao mês? | Principal problema |
|---|---|---|
| Barbearia (1 página) | ✅ Sim | Só a propaganda no rodapé |
| Portfólio | ✅ Sim | Banner de anúncio atrapalha a apresentação |
| Blog de receitas | ⚠️ No limite | Espaço em disco e lentidão |
| Lojinha | ❌ Suspenso | Limite de tráfego estourado |
Então, hospedagem grátis é furada?
Depende — e o teste mostrou exatamente onde fica a fronteira.
Faz sentido se o seu site é uma vitrine simples, com poucas páginas e poucas visitas: portfólio, currículo online, site de evento, aquele projeto pessoal que ninguém acessa além da sua mãe. Nesses casos, o custo zero pesa mais do que o banner no rodapé.
Não faz sentido se existe qualquer intenção de ganhar dinheiro ou crescer: loja, blog com ambição de audiência, site de negócio local que depende de ser encontrado. As limitações de tráfego, a lentidão e a propaganda corroem a credibilidade justamente quando você começa a atrair gente.
E tem o detalhe final que pouca gente conta: migrar depois dói. Trocar de endereço quando você já imprimiu o subdomínio gratuito no Instagram, no cartão e no Google Meu Negócio significa perder todo o reconhecimento conquistado.
Nossa recomendação, depois do teste: use o plano gratuito como rascunho, nunca como endereço definitivo. Aprenda a plataforma ali, e quando o projeto pegar — mesmo que seja um blog com 20 posts — migre para um plano pago barato com domínio próprio. No Brasil, dá para achar hospedagem decente pelo preço de um lanche por mês, e a diferença na velocidade, no suporte e na credibilidade é gigante.
De graça, o site até fica no ar. A questão é até onde.