Site apagado por acidente: o que 6 hospedagens fizeram quando pedimos o backup de volta
Photo: NASA Goddard Space Flight Center / Rebecca Roth, Public domain, via Wikimedia Commons
Todo mundo contrata hospedagem pensando no site no ar. O backup fica escondido no painel, tratado como enfeite. Até o dia em que alguém apaga a pasta errada, um plugin quebra a instalação ou uma atualização do WordPress derruba tudo. Foi esse o cenário que montamos para este teste: um WordPress de pequeno negócio, com posts, fotos, banco de dados e plugins comuns, apagado de propósito. Depois, acionamos o suporte de seis provedores usados por brasileiros e cronometramos cada etapa até o site voltar.
Como o teste foi montado
Criamos uma instalação limpa do WordPress em cada hospedagem, com o mesmo tema, os mesmos plugins e um backup inicial feito pelo próprio painel do provedor. Em seguida, apagamos os arquivos e o banco de dados pela ferramenta de gerenciamento de arquivos. Nada de acesso root, nada de truque: foi o tipo de erro que qualquer pessoa comete no desespero de limpar uma pasta.
O pedido de restauração foi feito pelo canal oficial de cada empresa: chat, ticket ou WhatsApp. Anotamos o horário do primeiro contato e o momento em que o site voltou a abrir. Também perguntamos, antes de contratar, se o backup diário estava incluso e se a restauração tinha custo extra. Para evitar exposição desnecessária, os provedores aparecem aqui como H1, H2, H3, H4, H5 e H6.
O que aconteceu em cada provedor
A H1 resolveu em 38 minutos. O backup diário estava incluso, o suporte respondeu no chat e pediu apenas uma confirmação por e-mail. O site voltou com o banco de dados intacto. A H2 levou 4 horas, mas o processo foi transparente: ticket aberto, prazo informado e restauração concluída no mesmo dia.
A H3 foi a primeira decepção. O backup existia, mas a restauração só sairia mediante pagamento de uma taxa de R$ 180. O suporte chamou de procedimento de recuperação. O site voltou em 26 horas, depois de um Pix e de muita conversa. A H4 levou 31 horas e ainda tentou vender um upgrade de plano no meio do caminho. Sem o upgrade, disseram, a restauração entraria na fila normal.
A H5 demorou 49 horas. O atendimento inicial não sabia informar se havia backup do dia anterior. Foram três tickets e uma promessa de retorno que não veio. A H6 surpreendeu: restaurou em 2 horas, mas o backup disponível era de 48 horas antes. Para quem publica todo dia, dois dias de perda ainda é prejuízo.
Onde o backup vira armadilha de preço
O padrão que encontramos não foi falta de backup. Quase todos tinham algum tipo de cópia. O problema apareceu na hora de restaurar. Em três dos seis provedores, a restauração passou de 24 horas. Em dois, o backup diário era vendido como adicional. Em um, a cópia existia, mas o suporte não sabia dizer qual era a data dela.
Para uma loja virtual, um site de serviços ou um blog que vive de anúncio, isso não é detalhe. Um dia fora do ar pode significar carrinho abandonado, cliente irritado e perda de posição no Google. O backup sem restauração rápida é só uma promessa bonita no rodapé do site.
O checklist que salva seu negócio
Antes de assinar qualquer hospedagem, pergunte e anote:
- O backup é diário e automático, ou só sob demanda?
- A restauração está inclusa no plano ou é cobrada à parte?
- Qual é o prazo de retenção: 7, 15 ou 30 dias?
- O suporte funciona em horário comercial ou 24 horas?
- Existe restauração self-service no painel?
- Você consegue baixar uma cópia do backup para guardar fora da hospedagem?
A última pergunta é a mais importante. Não confie só na cópia do provedor. Baixe o backup do seu site pelo menos uma vez por mês e guarde no Google Drive, no Dropbox ou em um HD externo. Se o provedor sumir, mudar de dono ou perder os dados, você ainda tem o seu.
Conclusão: backup sem restore é enfeite
O teste não serve para crucificar esta ou aquela empresa. Serve para mostrar que backup é processo, não recurso de catálogo. A hospedagem pode ter a ferramenta, mas se a restauração depende de ticket, cobrança extra ou boa vontade do atendente, o pequeno negócio fica refém.
Antes de contratar, teste o restore você mesmo. Apague um site de teste, peça a restauração e cronometre. Faça isso enquanto não há dinheiro em jogo. Depois, sim, assine com tranquilidade. O backup só vale alguma coisa quando você consegue usá-lo no dia em que mais precisa.